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Neemias e Esdras

esdras e neemias amarelo e branco | Apostolado Litúrgico Brasil

Esdras–Neemias trazem relatos sobre o retorno dos exilados e da reconstrução de Jerusalém e do templo, assim como a formação da nova comunidade e as condições de pertença a esta comunidade. Oferecem a possibilidade de acompanhar o nascimento do judaísmo étnico-religioso, rigorosamente segregado. Esse projeto, porém, encontrou resistência como evidenciam os livros de Rute e de Jonas, que surgiram no mesmo período de Esdras e Neemias e contestam a intolerância aos estrangeiros.

O calendário popular lembra Esdras e Neemias no dia 12 de julho. A leitura proposta – Neemias 8,9-10 – apresenta a comunidade reunida em torno da Palavra, renovando o compromisso com os mandamentos que se concretizam na partilha solidária. Trata-se de uma celebração festiva, que se manifesta por meio da alegria e alimentos compartilhados com os mais necessitados. “Façam uma boa refeição e repartam com os que não têm nada”, porque hoje é dia consagrado ao nosso Deus! Não vos aflijais, pois “a alegria do Senhor é a vossa fortaleza!” A alegria é sinal da salvação, testemunhada na adesão à Palavra de Deus que proporciona construir uma nova comunidade centrada na justiça e fraternidade.

“Neemias e Esdras foram enviados pelo Império Persa entre 450 e 400 a.C. para reorganizar e fortalecer a Judeia, região que fazia limite com o Egito. Sobretudo para conter o avanço de egípcios e gregos, foi preciso instalar guarnições militares e fortalecer as cidades de apoio no corredor siro-palestinense. A cidade de Jerusalém, com seu templo, consolidou-se como o centro do poder sociopolítico. O sistema do templo, com a lei do puro e do impuro, foi reforçado. O templo e a lei tornaram-se os principais mecanismos de arrecadação de tributos para a manutenção da teocracia de Jerusalém, que repassava uma parte da arrecadação ao Império Persa.”

 “O Império Persa, que desde 538 a.C. dava liberdade religiosa aos povos dominados, garantindo a submissão política e o tributo, transformou a Judeia em província do império, numa teocracia com o templo e a Torá. Jerusalém tornou-se o centro religioso e administrativo, explorando e oprimindo o “povo da terra”, a população rural que permanecera na Palestina durante o exílio (Is 56,10–57,2; 58,1-7)”.  Cf. A Lei a favor da vida? Entendendo o Livro do Deuteronômio.

Entre os anos 450-400 a.C., os sacerdotes, organizados a partir do novo templo, serão confirmados como intermediários entre o povo e o Império Persa e, com a transformação da Judeia em uma província persa, irão exercer o poder em nome de Deus. Esse governo teocrático irá impor nova concepção de Deus, do povo de Deus e do pecado. Javé agora será considerado Deus único e universal (Dt 4,39; 1Rs 8,60). Passará a ser chamado de “Deus dos céus” (Esd 1,2; 5,11; 7,12.21; Ne 1,2.4.5; 2,4.20; Jn 1,9) ou “Deus Altíssimo” (Dn 4,2.17.24; Sl 57,2; 73,11; 77,10 etc.), e considerado um Deus sagradíssimo e puríssimo, distante e separado do mundo impuro e pecador dos humanos” (Luiz José Dietrich/Rafael Rodrigues da Silva. Em busca da Palavra de Deus: uma leitura do Deuteronômio).

  Os livros de Esdras e de Neemias foram compilados pelo fim do IV século a.C. e originalmente formavam uma só obra. Os acontecimentos mencionados nos livros de Esdras e Neemias se referem a um período de mais de cem anos, integrados num quadro geral da reorganização de Israel depois do exílio na Babilônia. Esdras–Neemias trazem relatos sobre o retorno dos exilados e da reconstrução de Jerusalém e do templo, assim como a formação da nova comunidade e as condições de pertença a esta comunidade. Oferecem a possibilidade de acompanhar o nascimento do judaísmo étnico-religioso, rigorosamente segregado. Esse projeto, porém, encontrou resistência como evidenciam os livros de Rute e de Jonas, que surgiram no mesmo período de Esdras e Neemias e contestam a intolerância aos estrangeiros.

Esd 1–2: Retorno dos primeiros grupos de exilados.

Esd 3–6: Reconstrução do templo com o apoio do Império Persa e restauração do culto e festas religiosas.  O segundo templo de Jerusalém foi inaugurado em 515 a.C., no período do rei Dario.

Esd 7–10: Reforma religiosa, proibição dos casamentos com mulheres estrangeiras, questões raciais.

Ne 1,1–7,4: Edificação do muro da cidade contra resistências.

Ne 7,5–10,40: Compromisso com a Lei, aliança. Assembleia, proclamação da Palavra na festa das Tendas (Ne 8) com a finalidade de unir os diferentes grupos da comunidade: os repatriados e os que continuaram no país. Renovação da aliança.

Ne 11–13: Repovoamento de Jerusalém e de Judá. Dedicação das muralhas de Jerusalém. Nova proibição dos casamentos mistos, sendo que a preocupação aqui é mais para preservar a identidade cultural da comunidade.

Neemias enfrentou conflitos e a questão da injustiça social, durante o tempo em que foi governador. Os empobrecidos denunciavam a situação: “Tivemos de pedir dinheiro emprestado, penhorando nossos campos e vinhas, para podermos pagar os impostos ao rei” (Ne 5,4). O clamor profético dos pobres, dos endividados e escravizados levou Neemias a promover algumas reformas a fim de assegurar alimentos e terra para trabalhar e viver com dignidade (Ne 5,1-19; cf. Am 2,6; 8,6; Is 50,1; Dt 15), evitando assim a instabilidade na região.  

Esdras contribuiu para organizar a religião da comunidade em torno da Torá (= Lei/Instrução), o atual Pentateuco – que teve sua redação concluída por volta de 400 a.C. A identidade comunitária, centrada na Palavra, une os repatriados e os que haviam permanecido na terra da Judeia. O estudo e a interpretação da Torá favoreceram o entendimento e o acesso da Bíblia ao povo. “Esdras leu o livro da Lei de Deus, traduzindo e explicando o seu sentido: assim podia-se compreender a leitura (Ne 8,8). Nascia, então, a atividade principal e mais antiga ligada ao estudo da Escritura: Ler, explicar, interpretar e atualizar a Palavra de Deus para o povo” (Sylvia Villac/Donizete Scardelai. Introdução ao Primeiro Testamento).

“Um texto de Esdras-Neemias é particularmente importante para a compreensão do Antigo Testamento. Falo de Ne 8, a leitura pública da Torá por parte do escriba Esdras e de Neemias durante a festa das Tendas. O relato de Ne 8 deve ser lido em continuidade com 2Rs 22–23, no qual se narra a descoberta da Torá no tempo do reino de Josias. Outro texto essencial é Ex 24,3-8, no qual somos informados sobre a origem do livro da Torá. É sobre a base das palavras escritas no livro e proclamadas diante de todo o povo que o Senhor conclui uma aliança solene. Trata-se do mesmo livro que encontramos nas mãos de Josué (1,7-8) e naquele do justo do Sl 1. Percebe-se em todos os textos a mesma vontade de afirmar que a identidade de Israel está ligada, num modo privilegiado, ao livro da Torá” (cf. Jean-Louis Ska. O Antigo Testamento).

            A partir do Concílio Vaticano II multiplicaram-se as iniciativas para “que os fiéis tenham amplo acesso à Sagrada Escritura” (Dei Verbum 22). Com a “animação bíblica da pastoral inteira” (Verbum Domini 73), a Palavra de Deus continuará guiando a vida cristã nas celebrações e na ação evangelizadora.  Mas é preciso fomentar a leitura orante da Palavra, que converte, liberta e salva: “A Palavra que sai de minha boca não voltará para mim sem efeito, sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a enviei” (Is 55,11).

Irmã Helena Ghiggi, da congregação Discípulas do Divino Mestre.

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