• 1
  • 1 R$3.344,90

    Bolsa de compras

    Subtotal : R$3.344,90

O Espírito que foi dado na liturgia

O Espírito que foi dado na liturgia

São Basílio Magno, sem pudor, afirma, em seu tratado sobre o Espírito Santo, que esse sublime bem foi dado para a divinização da humanidade: “d’ele procede, enfim, o bem mais sublime que se pode desejar: tornar-se o homem Deus”.1 Para além das riquezas de ambas tradições, a deificação, como tema, remete a presente análise ao relato bíblico das origens, onde a serpente tenta Adão e Eva com a proposta de, comendo o fruto proibido, tornarem-se divinos (cf. Gn 3,1-13). Falar sem peias sobre a deificação do ser-humano operada pelo Espírito sempre foi mais confortável para a teologia oriental, habituada a uma abordagem mais pneumatológica da liturgia, enquanto no ocidente, o hábito foi focar uma abordagem mais cristológica.2 A divinização, outrora usurpada pelo primitivo casal, é ofertada pela ação do Espírito Santo que opera na liturgia, entretanto, ainda como “autor anônimo” do “bem mais sublime”:

Pelo Espírito Santo se nos concede de novo a entrada no Paraíso, a ascensão ao Reino dos Céus, o retorno à adoção de filhos. Por ele se nos dá a confiança de chamar a Deus nosso Pai, de participar da graça de Cristo, de sermos chamados filhos da luz, de tomar parte na glória eterna, numa palavra, de receber a plenitude de todas as bênçãos, tanto na vida presente como na vida futura, e de poder contemplar, como num espelho, como se já estivessem presentes, os bens que em promessa nos estão destinados e que pela fé esperamos vir a usufruir.

Contudo, ainda que jorre tão grande sabedoria das fontes patrísticas, continua presente, na prática pastoral e teológica, um “déficit pneumatológico”, no sentido de se considerar pouco, quiçá compreender pouco, a função do Espírito Santo na liturgia e na vida cristã. Segundo afirma Paul De Clerck, “esta negligência entorno do dom do Espírito e sua obra é um traço característico do catolicismo ocidental, que se reconhece, cada vez mais, como uma lacuna. Pois, se os sacramentos nos vêm de Cristo, sua celebração atual é fecundada pelo Espírito”.

Fonte: Revisa de Liturgia Edição 261, página 11.

Você pode gostar também...

Deixe uma resposta